A volta dos que não foram

Hypnotic Clock

Padrão aTemporal

Há três anos atrás nascia o Padrão aTemporal com a proposta de expor o meu cotidiano, estudando padrões evolutivos e de distribuição das aves, para além das camadas acadêmicas. [Talvez] péssimo momento! Escrevi três ou quatro textos e tudo parou…

O que aconteceu? perdi o fio da meada? não tive mais assuntos? [como se fosse possível…] não tive mais tempo? [desculpa esfarrapada]

Escolhi a ultima! Apesar de uma desculpa furada [reconheço] não deixou de ser uma verdade. Estava em fase final do meu doutorado e não soube administrar meu tempo entre as analises, leituras e escritas que pareciam sem fim.

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Parece até que foi puchado mesmo

Terminei o doutorado a pouco mais de um ano… e porque tu não voltaste a escrever?! qual a desculpa dessa vez? com certeza outra mais furada ainda!!! na verdade, nem sei dizer bem o motivo – preguiça[!], frustação[?], tempo[???]

Hoje o famigerado facebook me lembrou do Padrão aTemporal, e decidi voltar aqui! Sabem o que mais me surpreendeu? Olhando as estatísticas do blog, mesmo com nenhum post, 569 pessoas ao redor do mundo visitaram o blog só em 2014; 858 em 2015; e até agora já foram 550 esse ano!!! E é por isso que voltei!

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Ou melhor, estou voltando. Nesse momento estou só me reapresentando.

O blá blá blá é o mesmo de sempre: “não sei ao certo o que vou escrever, ou quando ou com que frequencia…” por isso, fiquem atentos!

 

 

PS – Como tem muitos acessos de pessoas de outros países, vou colocar a versão em inglês do texto no final. Por favor, me corrijam se eu estiver escrito algo errado!

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Three years ago Padrão aTemporal was born with the proposal to expose my day to day, studying evolutionary and distribution patterns of birds, beyond the academic world. [Maybe] bad time! I wrote three or four texts and everything stopped …

What happened? I lost the thought line? I had no more issues? [As if it were possible …] did not have more time? [Lame excuse]

I chose the latter! Although a bored excuse [I recognize], it was a true one. I was in the final phase of my Ph.D. and I didn’t know how to manage my time between analyzes, reads and writes that seemed endless.

I finished the Ph.D little over a year… and why you did not come back to write?! what is the excuse this time? certainly a more lame yet !!! Actually, I don’t even know to say why – laziness[!], frustration[?], time [???]

Today, the infamous facebook reminded me of the Padrão aTemporal, and I decided to come back here! You know what surprised me most? Looking at the blog statistics, even with no posts, 569 people around the world have visited the blog only in 2014; 858 in 2015; and they have been 550 so far this year!!! And that’s why I came back!

Actually, it’s more appropriate to say I’m coming back. Right now I’m just introducing myself again.

The blah blah blah is the same as always: “I’m not sure what I will write, or when or how often …” so stay tuned!

PS – Due to the many access of people from other countries, I will put the English version at the end. Please correct me if I’m writing something wrong!

 

 

 

 

 

Taxonomia – Parte II

© Imagem protegida pela Lei de Direito Autoral (nº 9610/98). É proibida a cópia e a reprodução sem autorização expressa do autor. RODRIGUES, F. A. (2009). [WA84594, Sporophila ardesiaca (Dubois, 1894)]. Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em:  Acesso em: 15 Set 2013.

© Imagem protegida pela Lei de Direito Autoral (nº 9610/98). É proibida a cópia e a reprodução sem autorização expressa do autor.
RODRIGUES, F. A. (2009). [WA84594, Sporophila ardesiaca (Dubois, 1894)]. Wiki Aves – A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: <http://www.wikiaves.com/84594&gt; Acesso em: 15 Set 2013.

Mas afinal, o que é taxonomia?  Como funciona esse trabalho?

Taxonomia é a ciência que descreve, nomeia e classifica os organismos, incluindo todas as plantas, animais e microrganismos do mundo.  Utilizando dados morfológicos, comportamentais, bioquímicos e genéticos, os taxonomistas identificam, descrevem e arranjam as espécies em grupos hierárquicos, incluindo aquelas que são novas para a ciência.  Por exemplo, o papa-capim-de costas-cinza, na figura acima, é um animal (reino Animalia) com um cordão nervoso dorsal (filo Chordata), possui penas (classe Aves), apresenta os pés com três dedos dirigidos para frente e um para trás (ordem Passeriformes*), possui um bico em formato cônico (família Emberizidae), se alimenta de sementes (gênero Sporophila) e tem as costas cinza (espécie ardesiaca).

Na prática o processo é mais complicado e trabalhoso! Mas, resumindo, consiste em separar alguns espécimes (indivíduos) que se acredita serem representantes de uma espécie. Uma vez separados, é verificado se já existe nome para essa espécie.  Esse trabalho envolve o uso de guias de identificação, a leitura de descrições feitas, talvez, há 200 anos, e a comparação com espécimes de museus ou herbários.  Por sua vez, as comparações levam em consideração caracteres externos (ex.: tamanho de partes externas do corpo, como asa, cauda, bico; coloração da plumagem), internos (ex.: tamanho e dimensões de estruturas ósseas), e ainda a analise de dados moleculares do DNA.  Caso não haja correspondência entre os espécimes comparados, pode significar uma nova espécie para a ciência, ainda não descrita e sem um nome!  Nesse caso, o taxonomista irá escrever uma descrição, dizendo como a nova espécie é distinguida das outras e dando um nome a ela.  O nome e a descrição devem, então, ser publicados apropriadamente para que outros taxonomistas (e quem mais interessar) possam ver o que foi feito e serem capazes de identificar a espécie posteriormente.  Vale destacar que, desde achar os espécimes (seja em trabalhos de campo, seja em coleções científicas de museus e herbários) até a publicação da descrição e do nome é um trabalho que pode levar muitos anos.

E o nome?

O nosso papa-capim-de-costas-cinza, da foto no inicio do texto, também pode ser chamado de florestal, de cabeça-de-coco, ou de coleiro-mineiro, dependendo do lugar onde se está no Brasil; e em inglês ainda recebe o nome de Dubois’s Seedeater.  Não seria uma confusão tão grande reunir pessoas de diferentes lugares onde essa espécie ocorre e falar sobre ela.  Mesmo que cada um começasse a falar um nome diferente e tratar como coisas diferentes – afinal não tem o mesmo nome –, mais cedo ou mais tarde essas pessoas iriam descobrir que estavam falando da mesma coisa, pois se trata de uma espécie com distribuição pequena (sul da Bahia, Minas Gerais e oeste de São Paulo).  Mas imaginem uma espécie de ampla distribuição, ocorrendo em todo o planeta, onde em cada lugar as pessoas deram um nome diferente; ou pior, imaginem um nome sendo atribuído a coisas completamente diferentes, como por exemplo, o ouriço, que pode ser um mamífero ou um invertebrado!  O trabalho do taxonomista consiste em dar nomes únicos para as espécies, primariamente, para termos a certeza de que estamos falando da mesma coisa.  O sueco Carolus Linnaeus, um dos fundadores da taxonomia moderna, incorporou à prática taxonômica o sistema binomial de nomenclatura, no qual cada espécie deve ter necessariamente dois nomes latinizados, o nome do gênero e seu complemento.  Dessa forma, o papa-capim-de-costas-cinza, aquele da foto no inicio do texto, também conhecido por florestal, de cabeça-de-coco, de coleiro-mineiro, ou, em inglês, Dubois’s Seedeater é, universal e cientificamente, Sporophila ardesiaca.

o mamifero

o mamifero

o invertebrado

o invertebrado

* “Nem todas as aves são pássaros […], pássaros, só os Passeriformes, que têm bico desprovido de membrana na base, tarsos isentos de penas, pés com três dedos dirigidos para a frente e um para trás e unha do dedo posterior mais forte que a dos anteriores, dos quais os dois interiores são ligados entre si na base.”

 

Sugestão de leitura: Àqueles que gostaram do assunto e desejam saber mais, sugiro a leitura do artigo em português sobre o desenvolvimento da taxonomia/sistemática desde Aristóteles até Willi Henning, o desenvolvedor do método filogenético:

Santos, C. M. D. (2008). Os dinossauros de Hennig : sobre a importância do monofiletismo para a sistemática biológica. Scientiae studia, 6(2), 179–200.

Também sugiro o podcast do Dragões de garagem, um papo descontraído e bem informativo do assunto:

http://scienceblogs.com.br/dragoesdegaragem/2013/04/dragoes-de-garagem-9-taxonomia-ou-sobre-inventar-nomes-malucos/

 

Por que as florestas dependem tanto dos pássaros?

“Cientistas brasileiros comprovam uma lógica catastrófica: o desaparecimento de aves maiores da Mata Atlântica leva à diminuição no número, na densidade e na resistência das árvores.”

Resolvi inaugurar o blog com esse vídeo, pois é a demonstração mais clara dos meus objetivos! Trata-se de um estudo feito por pesquisadores brasileiros e publicado em uma das revistas mais conceituadas* do universo acadêmico. Aqui, gráficos, estatísticas e jargões científicos, sobre os efeitos em cascata de alterações no ambiente provocadas pelo homem são apresentados e ilustrados de maneira a atingir um publico bem maior do que os leitores dessa renomada revista! De qualquer maneira, para quem quer se aprofundar no assunto, o trabalho está disponível aqui. Já o havia publicado em minha conta pessoal do Facebook, mas ai vai mais uma vez…

*vale ressaltar que, conceituada, é um termo para outra discussão!!!

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