Taxonomia – Parte II

© Imagem protegida pela Lei de Direito Autoral (nº 9610/98). É proibida a cópia e a reprodução sem autorização expressa do autor. RODRIGUES, F. A. (2009). [WA84594, Sporophila ardesiaca (Dubois, 1894)]. Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em:  Acesso em: 15 Set 2013.

© Imagem protegida pela Lei de Direito Autoral (nº 9610/98). É proibida a cópia e a reprodução sem autorização expressa do autor.
RODRIGUES, F. A. (2009). [WA84594, Sporophila ardesiaca (Dubois, 1894)]. Wiki Aves – A Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: <http://www.wikiaves.com/84594&gt; Acesso em: 15 Set 2013.

Mas afinal, o que é taxonomia?  Como funciona esse trabalho?

Taxonomia é a ciência que descreve, nomeia e classifica os organismos, incluindo todas as plantas, animais e microrganismos do mundo.  Utilizando dados morfológicos, comportamentais, bioquímicos e genéticos, os taxonomistas identificam, descrevem e arranjam as espécies em grupos hierárquicos, incluindo aquelas que são novas para a ciência.  Por exemplo, o papa-capim-de costas-cinza, na figura acima, é um animal (reino Animalia) com um cordão nervoso dorsal (filo Chordata), possui penas (classe Aves), apresenta os pés com três dedos dirigidos para frente e um para trás (ordem Passeriformes*), possui um bico em formato cônico (família Emberizidae), se alimenta de sementes (gênero Sporophila) e tem as costas cinza (espécie ardesiaca).

Na prática o processo é mais complicado e trabalhoso! Mas, resumindo, consiste em separar alguns espécimes (indivíduos) que se acredita serem representantes de uma espécie. Uma vez separados, é verificado se já existe nome para essa espécie.  Esse trabalho envolve o uso de guias de identificação, a leitura de descrições feitas, talvez, há 200 anos, e a comparação com espécimes de museus ou herbários.  Por sua vez, as comparações levam em consideração caracteres externos (ex.: tamanho de partes externas do corpo, como asa, cauda, bico; coloração da plumagem), internos (ex.: tamanho e dimensões de estruturas ósseas), e ainda a analise de dados moleculares do DNA.  Caso não haja correspondência entre os espécimes comparados, pode significar uma nova espécie para a ciência, ainda não descrita e sem um nome!  Nesse caso, o taxonomista irá escrever uma descrição, dizendo como a nova espécie é distinguida das outras e dando um nome a ela.  O nome e a descrição devem, então, ser publicados apropriadamente para que outros taxonomistas (e quem mais interessar) possam ver o que foi feito e serem capazes de identificar a espécie posteriormente.  Vale destacar que, desde achar os espécimes (seja em trabalhos de campo, seja em coleções científicas de museus e herbários) até a publicação da descrição e do nome é um trabalho que pode levar muitos anos.

E o nome?

O nosso papa-capim-de-costas-cinza, da foto no inicio do texto, também pode ser chamado de florestal, de cabeça-de-coco, ou de coleiro-mineiro, dependendo do lugar onde se está no Brasil; e em inglês ainda recebe o nome de Dubois’s Seedeater.  Não seria uma confusão tão grande reunir pessoas de diferentes lugares onde essa espécie ocorre e falar sobre ela.  Mesmo que cada um começasse a falar um nome diferente e tratar como coisas diferentes – afinal não tem o mesmo nome –, mais cedo ou mais tarde essas pessoas iriam descobrir que estavam falando da mesma coisa, pois se trata de uma espécie com distribuição pequena (sul da Bahia, Minas Gerais e oeste de São Paulo).  Mas imaginem uma espécie de ampla distribuição, ocorrendo em todo o planeta, onde em cada lugar as pessoas deram um nome diferente; ou pior, imaginem um nome sendo atribuído a coisas completamente diferentes, como por exemplo, o ouriço, que pode ser um mamífero ou um invertebrado!  O trabalho do taxonomista consiste em dar nomes únicos para as espécies, primariamente, para termos a certeza de que estamos falando da mesma coisa.  O sueco Carolus Linnaeus, um dos fundadores da taxonomia moderna, incorporou à prática taxonômica o sistema binomial de nomenclatura, no qual cada espécie deve ter necessariamente dois nomes latinizados, o nome do gênero e seu complemento.  Dessa forma, o papa-capim-de-costas-cinza, aquele da foto no inicio do texto, também conhecido por florestal, de cabeça-de-coco, de coleiro-mineiro, ou, em inglês, Dubois’s Seedeater é, universal e cientificamente, Sporophila ardesiaca.

o mamifero

o mamifero

o invertebrado

o invertebrado

* “Nem todas as aves são pássaros […], pássaros, só os Passeriformes, que têm bico desprovido de membrana na base, tarsos isentos de penas, pés com três dedos dirigidos para a frente e um para trás e unha do dedo posterior mais forte que a dos anteriores, dos quais os dois interiores são ligados entre si na base.”

 

Sugestão de leitura: Àqueles que gostaram do assunto e desejam saber mais, sugiro a leitura do artigo em português sobre o desenvolvimento da taxonomia/sistemática desde Aristóteles até Willi Henning, o desenvolvedor do método filogenético:

Santos, C. M. D. (2008). Os dinossauros de Hennig : sobre a importância do monofiletismo para a sistemática biológica. Scientiae studia, 6(2), 179–200.

Também sugiro o podcast do Dragões de garagem, um papo descontraído e bem informativo do assunto:

http://scienceblogs.com.br/dragoesdegaragem/2013/04/dragoes-de-garagem-9-taxonomia-ou-sobre-inventar-nomes-malucos/

 

Adendo – O valor intrínseco, como um quadro de Van Gogh!

 

 

 

Omaggio a Van Gogh

 

 

 

Em agosto traduzi um texto de Richard Conniff sobre os “benefícios” do mundo natural para os seres humanos, para iniciar uma série de ensaios de divulgação de uma das minhas áreas de atuação como pesquisador [ou melhor, como aprendiz de pesquisador]: a taxonomia!  Esse texto gerou uma discussão [incríveis dois comentários] muito interessante para ficar apenas nos comentários.  Um grande amigo, Rafael Marcondes, estudante de pós-graduação em zoologia da USP, questionou o uso desses benefícios, ou serviços ecológicos como são chamados, para justificar trabalhos na área taxonômica: “99% das espécies já descobertas ou ainda não descobertas com certeza não vai impactar em nada a vida da maioria das pessoas do mundo! Que diferença faz pra uma pessoa se a espécie xis de passarinho vai ser dividida em três, ou se ela se separou da outra espécie há 1,4 milhões de anos?” questionou Marcondes.  Minha resposta imediata foi em defesa do texto e dos serviços ecológicos!  O que não significa que não concordei com sua posição.  Na verdade, refletindo um pouco sobre o assunto, a maior parte da população também não sabe o que são serviços de ecossistemas!  Mas a importância desses serviços de ecossistemas – como regulação da erosão, manutenção da qualidade do ar, purificação da água, controle de doenças e provisão de produtos naturais – é sempre ressaltada porque parece ser uma argumentação mais fácil de “vender” para quem cria as políticas de conservação.  É preciso preservar a biodiversidade por si mesma! Por exemplo, a preservação de pandas e baleias tem um apelo muito popular, sendo que o fim dessas espécies não representaria a supressão de nenhum serviço de ecossistemas.  Em outras palavras, ou melhor, nas palavras de Lincoln Carneiro, outro grande amigo e companheiro de laboratório, em nossas divagações no horário de almoço: “As espécies tem um valor intrínseco, como um quadro de Van Gogh!”

Taxonomia – Parte I

COMO AS ESPÉCIES PODEM SALVAR NOSSAS VIDAS

Por Richard Conniff

Ao falar sobre os benefícios de três séculos de descoberta de espécies, fico tentado a começar, e também a terminar, com Sir Hans Sloane.  Médico e naturalista inglês do século XVIII que coletava tudo, de insetos a presas de elefantes.  E, como muitos outros naturalistas, era ridicularizado por isso, notavelmente por seu amigo Horace Walpole, que zombava do apreço de Sloane por “tubarões com uma orelha, e aranhas tão grandes quanto gansos!”  A coleção de Sloane veio a se tornar o Museu Britânico [The British Museum], a Biblioteca Britânica [The British Library], e o Museu de Historia Natural de Londres [The Natural History Museum].  Não é um mal legado para uma vida, mas isso não é nada comparado ao resultado de uma viagem de coleta à Jamaica, quando Sloane também inventou o chocolate com leite.

Nós ainda zombamos de naturalistas.  Nós ainda tendemos a esquecer de como nos beneficiamos de seu trabalho.  […] deixe-me tornar as coisas mais claras: Se não fosse o trabalho dos naturalistas, você e eu, provavelmente, estaríamos mortos.  E se estivéssemos vivos, seria mais provável que estivéssemos aleijados, com dor, ou incapacitados de alguma outra forma.

Grande parte do que chamamos hoje de conhecimento médico básico vem, originalmente, de naturalistas.  John Hunter, por exemplo, foi um médico de Londres, uma ou duas gerações depois de Sloane, e sua paixão por animais fez dele um modelo de Dr. Dolittle (ou também pode ter sido o Dr. Jakyll e Mr. Hyde, devido ao seu trabalho noturno, mexendo em cadáveres nos fundos de sua casa).  Enquanto outros estavam apenas começando a contemplar a conexão entre humanos e animais, ele fez comparações detalhadas, descobrindo, entre outras coisas, como os ossos cresciam e qual a direção que os nervos olfatórios percorriam.

Hunter, agora reconhecido como o pai da cirurgia moderna, veio de uma tradição escocesa que tratava o estudo da natureza como essencial para o desenvolvimento das habilidades observacionais de um médico, e ele próprio ensinava essa atitude à seus alunos.  Dentre eles estava Edward Jenner, um médico do interior que passou 15 anos estudando cucos (talvez um dos motivos pelo qual ele veio a ser rotulado de curandeiro).  Essa pesquisa, combinada “com a insistência de Hunter sobre a observação minuciosa e apresentação convincente, ajudaram a preparar a mente de Jenner para seu melhor trabalho”, de acordo com o historiador da ciência Lloyd Allan Wells.  Esse trabalho foi o desenvolvimento da primeira vacina do mundo, para varíola.  […] A ideia ousada de Jenner levou, por sua vez, a vacinas contra várias doenças mortais, como febre amarela e pólio.  Assim, ele recebeu o crédito (com um leve aceno para o cuco) por ter salvado mais vidas que qualquer um na história da medicina.

Você deve estar pensando que chocolate com leite, Dr. Dolitte, e cucos tornam a importância das espécies um caso [no mínimo] curioso.  Mas nossa dívida com os naturalistas também toma uma forma mais convencional: Aproximadamente metade dos medicamentos vem diretamente do mundo natural, ou são produzidos sintéticos baseados nas descobertas provenientes da natureza.  A lista inclui aspirina (originalmente, a partir do salgueiro), quase todos os antibióticos (a partir de fungos que se desenvolvem na natureza, não em placas de Petri), e muitos dos mais efetivos tratamentos de câncer.  Lembro-me de uma garota pálida na segunda série morrendo de linfoma ou leucemia; crianças com essas doenças quase sempre morriam.  Hoje em dia elas sobrevivem, graças às drogas desenvolvidas a partir da planta Vinca-de-Madagáscar [também conhecida como vinca-de-gato, Catharanthus roseus].  Muitos pacientes com câncer de pulmão, mama, útero, e outros tipos de câncer também se recuperam agora, porque, em 1962, um botânico chamado Arthur S. Barclay coletou amostras de uma árvore, Teixo, no pacífico, levando ao desenvolvimento do medicamento anticancerígeno Taxol.  Para aqueles que acham que os recursos naturais deveriam permanecer ou cair dependendo do seu valor econômico, o Teixo seria basicamente inútil em 1961.  Mas hoje, segundo os analistas da indústria IMS Health, o Taxol é um produto de $1,7 bilhões/ano.

conniff8_periwinkle-articleInline

A Vinca-de-Madagáscar é uma fonte de medicamentos contra o câncer. Fonte: P. Goltra for the National Tropical Botanical Garden. http://www.ntbg.org

 

Além de nos fornecer novos medicamentos poderosos, as descobertas do mundo natural também abrem nossos olhos para o inesperado funcionamento de nossos corpos.  Um dos efeitos mais óbvios ao ser picado por uma Jararaca, Bothrops jararaca, é que “sua pressão sanguínea cai ao chão, e depois você cai no chão”, afirma o pediatra de Harvard, Aaron Bernstein.  Então, matem todas as Jararacas, certo?  Pelo contrário, diz Bernstein, co-autor do livro “Sustaining Life:  How Human Health Depends on Biodiversity.”, publicado em 2008.  O estudo de uma enzima do veneno dessa espécie de serpente revelou um novo mecanismo para o controle da pressão sanguínea humana.  Inibidores da ECA [enzima conversora da angiotensina], o resultado direto, são agora nosso mais efetivo remédio para hipertensão e insuficiência cardíaca congestiva, e, certamente, salvou mais vidas do que essas serpentes poderiam matar.

 

Uma enzima no veneno da Jararaca, Bothrops jararaca, revelou um novo mecanismo para controlar a pressão arterial humana. Fonte: Daniel Loebmann, 2005.

Uma enzima no veneno da Jararaca, Bothrops jararaca, revelou um novo mecanismo para controlar a pressão arterial humana. Fonte: Daniel Loebmann, 2005.

 

Do mesmo modo, a rampamicina, também conhecida como Sirolimus, retirada de um fungo de solo da Ilha de Pascoa, inibi a resposta do sistema imunológico através de uma via previamente desconhecida para ciência.  Agora é amplamente utilizado no transplante de órgãos e como revestimento dos stents cardíacos.  Por si só, isso pode não fazer alguém sair por aí com um adesivo “I ♥ Fungos”.  Entretanto, considere isso: Um artigo publicado em 2009 na Nature relatou que ratos alimentados com doses de rapamicina experimentou um aumento de 28-38 por cento de vida útil subsequente – e esses ratos estavam com 60 anos de idade para começar [600 dias no paper original, mas seria o equivalente a 60 anos].  E agora, já estamos começando a sentir o amor aos fungos?

Dado o potencial inexplorado do mundo natural, você deve pensar que os governos e companhias farmacêuticas estariam correndo para salvar as espécies e procurando por outros possíveis poderes extraordinários.  Na verdade, afirma James S. Miller, vice presidente de ciência no Jardim Botânico de Nova York, “somente uma pequena percentagem das plantas do mundo foram pesquisadas” e mesmo estas “foram pesquisadas para uma pequena parte das doenças para as quais elas poderiam ser efetivas”.  Em vez disso, compostos farmacologicamente ativos desenvolvidos ao longo de milhões de anos e eficaz no mais duro laboratório do mundo, a natureza, rotineiramente desaparecem a medida que as espécies nas quais eles evoluíram se extinguem.

 

Mapa de mortes provocadas pela malária nos Estados Unidos, 1870. Biblioteca do Congresso, USA.

Mapa de mortes provocadas pela malária nos Estados Unidos, 1870. Biblioteca do Congresso, USA.

 

Ainda existe um motivo pelo qual devemos nossas vidas aos naturalistas.  A ausência de doenças epidêmicas é agora tão completamente dada como certa que chega a ser difícil de imaginar que já vivemos de outra forma*.  Mas a malária uma vez matou rotineiramente pessoas desde o Golfo do México até a região dos Grandes Lagos.  Epidemias de febre amarela caíram como a ira de Deus sobre cidades tão ao norte quanto Boston.  No pior surto da nação, em 1878, um em cada oito moradores de Nova Orleans morriam, e tudo ao sul de Louisville, Kentucky, era “desolação e angústia”.  Tudo isso mudou na milagrosa década de 1890, quando de repente pesquisadores identificaram as causas da febre amarela, da febre tifóide, da peste, da disenteria e, acima de tudo, da malária.  Em cada caso, a solução dependeu de ter o conhecimento preciso – taxonômico e comportamental – das espécies envolvidas, desde os micróbios até os mosquitos.  Como Patrick Manson, o pai da medicina tropical (e um grande naturalista escocês), certa vez colocou, o estudo das origens e causas da doença “é mais um ramo da história natural”.

Vale a pena lembrar tudo isso agora, porque alguns cientistas dizem que estamos à beira de uma nova era de doenças epidêmicas, com HIV, SARS, H1N1, apenas “o anuncio de um sinistro”.  Novas doenças estão surgindo porque a [ocupação humana] está chegando em habitats remotos.  Alguns cientistas também acreditam que o desflorestamento está retirando nosso tampão biológico – a comunidade natural de animais e plantas que diluiriam o efeito de um organismo causador de doença e impediria que ele se espalhasse entre os seres humanos.

É difícil aceitar que você e eu podemos estar vulneráveis.  Esse breve século “livre” de doenças deu-nos a ilusão de que estamos separados da natureza, pairando de alguma forma sobre o mundo em que vivemos.  E por isso, acreditamos que talvez não valha a pena gastar o nosso dinheiro estudando as espécies que nos rodeia (melhor procurar vida no espaço).  E aceitamos a perda de florestas [e outros ambientes], esquecendo que isso pode se transformar na perda de nossas próprias famílias e amigos.  Quando a nova onda de doenças emergentes estiver batendo à nossa porta, podemos nos encontrar fazendo duas perguntas:  Onde estão os naturalistas para nos ajudar a resolver as causas e as curas?  E onde estão as espécies que poderiam estar nos salvando?

Mas pra quê esperar? Por que não fazer essas questões agora?

*Nota: As doenças citadas foram erradicadas dos Estados Unidos, país de origem do escritor.  Algumas, como por exemplo, malária e febre amarela, ainda ocorrem aqui no Brasil.

richardconniff.2

Richard Conniff  é o autor de vários livros, o mais recentemente, 

The Species Seekers: Heroes, Fools, and the Mad Pursuit of Life on Earth.” 

Ele bloga no strangebehaviors.com. Twitter: @ RichardConniff.

Esse texto faz parte de uma série sobre como é/foi o trabalho de quem procura espécies no mundo natural

e os demais 7 posts podem ser lidos aqui no The New York Times [isso mesmo, em inglês!]

Taxonomia – Parte 0

Onde vivem as novas aves

Há cerca de dois meses vem sendo divulgada a descoberta [descrição, na verdade] de 15 novas espécies de aves na Amazônia.  Essas descrições – resultado do trabalho de diversos pesquisadores e estudantes de pós-graduação, de diversas instituições nacionais e internacionais – foram publicadas esse mês num volume especial do Handbook of the birds of the world.  A coleção HBW continha até agora 16 volumes, sendo publicados desde 1992 à 2011 com ilustrações, informações taxonômicas e a distribuição de todas as espécies de aves do mundo.  Nesse meio tempo muitas espécies novas para a ciência foram descritas e ficaram de fora da coleção HBW.  Esse ultimo volume traz todos esses táxons já descritos [69 no total] e mais 15 novas descrições de aves amazônicas!!!  Atualmente, o processo de descrição de espécies novas ocorre em revistas científicas e a última vez que o mundo conheceu tantas aves brasileiras foi há 142 anos, quando um naturalista austríaco, August von Pelzeln (1825-1891), anunciou a descoberta de 40 espécies coletadas na Amazônia pelo naturalista, também austríaco, Johann Natterer (1787-1843).

© Lars Petersson Myrmotherula oreni

© Lars Petersson
Myrmotherula oreni

A notícia, como disse, já vem sendo divulgada desde maio; então por que, agora, decido falar sobre isso?  Bom, [além de fazer parte desta histórica obra com a descrição de uma dessas 15 espécies, ver 2ª figura: Myrmotherula oreni ] percebi que o foco, até agora, era para conservação: “Ao optar por revelar simultaneamente as novas espécies numa única obra, a ideia do grupo era chamar a atenção para a importância de preservar a biodiversidade da Amazônia”.  E agora decidi mudar o foco!!!  O que é taxonomia?  Por que é tão importante conhecer a biodiversidade?  Como a descrição de uma ave que ocorre no Acre poderia afetar minha vida?

Revista Pesquisa Fapesp – http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/novas-aves-da-amazonia/

Jornal Hoje – http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/07/pesquisadores-do-brasil-fazem-maior-descoberta-de-passaros-em-140-anos.html

%d blogueiros gostam disto: